terça-feira, 2 de março de 2010

Políticas educacionais ocorrem sem adaptações escolares

Os ditos populares "apressado come cru" e "colocar a carroça na frente dos bois", em certa medida, expressam a existência de ações efetivadas sem um devido planejamento. Uma vez isto ocorrendo não se pode ter muita certeza quanto ao real sabor do prato ou quanto ao lugar onde se chegará.
Na educação não ocorre muito diferente. Há uma série de medidas políticas, legítimas e necessárias, que, no entanto, se implantam em condições estruturais, físicas e materiais inadequadas. Desta feita, nem sempre os resultados esperados, relativos à aprendizagem e ao desenvolvimento do aluno, são atingidos.
É assim com as medidas inclusivas que submetem alunos deficientes à ambientes escolares desprovidos de uma equipe pedagógica multidisciplinar, como requer a legislação.
Tem sido assim também com o Ensino Fundamental de 9 anos. A extensão da obrigatoriedade do ingresso da criança no Ensino Fundamental a partir dos 6 anos 'pegou' muitos municípios sem realizar as adapatções físicas - sem falar nas pedagógicas - necessárias para atender ao novo público.
Recentemente o Jornal Folha de São Paulo publicou matéria relativa a esta situção no estado de São Paulo. Parte da matéria está reproduzida abaixo.
"Sentada em uma carteira de adulto, Isabela, 6, não consegue colocar o pé no chão. Suas sandalinhas balançam dois palmos acima do solo. Esse é apenas um dos problemas enfrentados pelos alunos de seis anos que, a partir deste ano, passam a ingressar no ensino fundamental (...).
(...) colegas de sala de Isabela também enfrentam dificuldades e precisam sentar com a mochila nas costas, para ficarem próximos à mesa. Outros estão em pé, para alcançar lápis e papel. "Elas são pequenas para ficar cinco horas aqui. Estão sempre inquietas, incomodadas. Depois do lanche, coçam o olho de sono. Umas dormem apoiadas na mesa", observa Maria, professora da turma.
Até o ano passado, o antigo primário recebia alunos a partir dos sete. Lei federal determinou a antecipação da entrada para que os estudantes pobres tivessem mais um ano de escolarização (crianças na faixa do fundamental devem, obrigatoriamente, estar na escola).
A ideia era que houvesse adaptação para receber as crianças mais novas, com carteiras adequadas, espaços como brinquedotecas e a criação de projeto pedagógico que mesclasse o início da alfabetização com atividades lúdicas. Mas nada disso ocorreu na rede pública de São Paulo, segundo professores e diretores ouvidos pela Folha" (Folha de São Paulo, Educação. 26/02/2010).
A realidade paulista nos faz pensar na "vocação" das políticas educacionais para posicionar a carroça a frente dos bois. Embora válidas e necessárias tais políticas devem prever, estimular e acompanhar medidas administrativas que possam antecipar e superar os infortúnios relativos à falta de adequações, materias e pedagógicas, imprescindíveis à eficácia da medida política.
E como tem sido, caro leitor(a), esta situação em seu município? Deixe seu comentário.

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